03/04 de Junho de 2014
Era dia 03 de Junho
de 2014 – Terça-Feira, um dia que acordou um pouco nublado, mas com uma
temperatura agradável. Aquela seria uma data que jamais esqueceríamos, quando
nós e nossos familiares estavam com uma mistura de alegria e tristeza, os olhos
de todos ficavam marejados, as vozes engasgadas e embargadas; orgulho e
satisfação estampados porém eram nítidos, por alcançarmos um obejtivo, fruto de
trabalho árduo, de anos de dedicação, foco e planejamento, muito planejamento.
Uma mistura maluca de
sentimentos, que é praticamente impossível de explicar, que vai da euforia ao
desespero, da alegria a tristeza, isso em questão de segundos, para aqueles que
já passaram por essa situação entendem o que digo, e os que ainda vão passar, com
certeza sentirão na pele no coração o que aqui escrevo ( e o que escrevemos neste post).
Dia 04 de Junho de 2014
Quando pisamos em
solo Canadense pela primeira vez como Residentes Permanentes, chegamos por
volta da 1 da manhã (veja esse post),
exaustos, porém com muita disposição para recomeçarmos, muitas incertezas na
cabeça, o coração ainda apertado pelos familiares que deixamos, mas realizados
e felizes por estarmos aqui.
Hoje completamos 1
ano de Canadá, muita luta, muita coragem, muitos desafios, força, determinação,
poder de superação e muito, mas muito companheirismo e compreensão entre nós
(Eu e Camila), o que no meu ver, é de extrema importância para aqueles que imigram
com a família, aliás, faço um comentário para aqueles que entram neste projeto
sozinhos, tiro meu chapéu de verdade, e fica aqui minha sincera admiração por
essas pessoas, pois se em dois já é complicado tendo um apoio diário, tendo com
quem compartilhar frustações, medos e etc, sozinho eu nem imagino como seja.
Quero aproveitar esse
espaço para fazer um singelo e humilde agradecimento para minha esposa Camila,
sem ela ao meu lado eu não sei o que teria sido, o que teria acontecido.
Obrigado por todo companheirismo, por estar sempre ao meu lado. Para alguns que
sabem, desde o nosso embarque, ou melhor, mais ou menos 1 mês antes, algumas
notícias em relação a família que ficou, me abalaram um pouco e me deixaram e
ainda deixam extremamente triste, preocupado, as vezes quase sempre
desesperado, mas todo apoio que recebo dela é chave para não retirar o time de
campo e continuar na luta, de cabeça erguida.
Muitas coisas
aconteceram, muitas coisas boas e ruins, muitos desafios enfrentamos, alguns
superamos, outros adiamos.
Quando estávamos no
processo de obtenção do visto de RP, planejamos muito, fizemos contas,
pesquisamos, lemos muito, fizemos contatos, refizemos todos os planos umas 300
vezes, nos preparamos para mudanças, mas quando você chega aqui, a coisa pega
pra valer, e ai você se depara com situações que jamais pensou que pudesse
acontecer!
Vamos à alguns dados
e informações do nosso primeiro ano:
- Nos mudamos 3 vezes de apartamento;
- Mudamos de província (Québec para Ontário);
- Eu (Carlos) mudei 1 vez de emprego em 2 meses;
- Camila começou a trabalhar 3 meses depois do landing e eu 5 meses depois;
- Fiz trabalho voluntário em um Community Centre;
- Tive que voltar ao Brasil 3 meses após o landing;
- Fizemos nossas primeiras Road Trips (Algumas vezes para Montreal, Ottawa, Niagara Falls e New York - a Camila nao desiste de querer fazer uma para o Maine);
- Assistimos o famoso Festival de Jazz de Montreal (Falando em Montreal, turistamos muito por lá, que lugar!!! Temos um carinho muito especial);
- Fomos ao jogo do Toronto Raptors no Air Canada Centre;
- Conhecemos Niagara Falls, que lugar!
- Como uma das roadtrips conhecemos a capital do pais e o Parlamento;
- Visitamos Ville de Québec, que obviamente, adoramos!
- Recebemos os pais da Camila para passar o Natal e Reveillon conosco, nosso primeiro Natal em solo canadense, foi muito especial!
- Esqueci meu RP em casa ao visitar os Estados Unidos (esse rende ate um post depois, incluindo nossa roadtrip para New York);
- Pegamos temperaturas desde -34C até 34C;
- Tivemos 2 snow storms que nos impediram de trabalhar e sair de casa;
- E aqui estávamos quando tivemos o mês de Fevereiro mais gelado de toda história;
- Descobri que o pneu All-Season não era suficiente durante o inverno, para um recém chegado pelo menos rs (Em Ontário não existe obrigatoriedade de Winter Tires como em Quebec);
- Descobrimos também que 10C após o inverno você vai usar camiseta, e que com 9C você já estará andando com o vidro do carro aberto;
- Visitamos inúmeras vezes algumas lojas como Ikea e Dollarama (Para quem estiver chegando, vai entender bem o que é isso);
- Fiz “francisation à temps partial”, e quando fomos convocados para o “cour à temps complet” na UQAM já não estávamos mais lem Montreal;
- Fiz ESL - English as a Second Language por um curto período;
- A Camila continua estudando o frances pois usa sempre a lingua no trabalho;
- Perdemos as contas de quantas entrevistas de emprego fizemos, tanto em Montreal quanto aqui em Toronto;
- E em pelo menos uma entrevista, fomos desencorajados e rebaixados pelo entrevistador (Aqui acontece também J);
- Passamos vários apuros com os idiomas (Fr/En) - nessa daqui o Frances leva o maior credito;
- Passamos algumas noites em claro devido as “incertezas” do processo de imigração/adaptação;
- Descobrimos que mesmo tendo estudado intensamente Inglês e/ou Francês, não será suficiente e que descobrirá que continuar estudando e se aperfeiçoando não é opção e sim necessidade/obrigação, e que ainda assim, passará por certo apuros em determinados momentos;
- Testamos o sistema de saúde de Montreal e de Toronto, não gostaríamos de ter que né, mas fazer o que rs;
- Trocamos de médico de família, pois a primeira experiência aqui em Toronto foi um tanto quanto desanimadora;
- Como já era esperado, o Costco virou um lugar especial para determinadas compras;
- Fizemos alguns amigos e em sua grande maioria brasileiros;
- Descobrimos que esses amigos, acabam se tornando uma “família”, pois compartilham praticamente sempre dos mesmos problemas, alegrias, dificuldades, frustrações e etc;
- Falando em amizades, confirmamos o que já havíamos pesquisado muito, que fazer amigos no trabalho é muito difícil a não ser que trabalhe com brasileiros, mas acredito que com o passar dos anos isso mude um pouco e também, aos poucos você aprendendo a lidar com isso e vendo o lado bom das coisas (no trabalho, ninguém se mete na sua vida pessoal);
E no final desse 1
ano, apesar de todas as dificuldades, temos a certeza que tudo valeu a pena e
podemos dizer com toda convicção – Que venha o segundo ano, terceiro, quarto,
quinto e assim por diante!!! Os planejamentos continuam, as incertezas e
desafios tambem. Nao vamos desanimar e deixar de lutar, continuando a
conquistar nosso espaco nessa nova sociedade.
